Financiamento verde

Penalizar os poluidores

O financiamento bancário vai ter de estar alinhado com os seis objetivos ambientais europeus.

Financiamento verde. Um termo que começa a entrar o léxico dos gestores e que vai alterar, por completo, não só o financiamento de novos projetos, mas, também, a forma como as empresas encararão, no futuro, o seu desenvolvimento. Mas em que consiste exatamente e que mudanças traz nas operações quotidianas de uma organização. A explicação, segundo Sofia Santos, Sustainability Champion in Chief da Systemic, é simples.
O financiamento verde consiste em incluir na análise de risco dos projetos que se estão a avaliar, quer para um empréstimo, quer para um investimento, quer para um subsídio, os riscos ambientais, sociais e de governação. Ou seja, a partir de agora - sim, porque esta é uma medida que acompanha a estratégia definida pela Comissão Europeia de descarbonizar a Europa até 2050 - qualquer projeto terá de avaliar o seu impacto no meio ambiente e na sociedade em geral. E esse impacto é contabilizado na análise de risco. "Um projeto com maiores impactes ambientais, aumenta o seu nível de risco, uma vez que hoje já existem uma série de critérios, exigências e regulamentos que induzem à valorização de projetos mais verdes e à desvalorização de projetos mais poluidores", explica Sofia Santos.

E não se trata de algo que vai ser aplicado no futuro. Desde 2019 que foram publicados diversos regulamentos sobre o assunto que "obrigam os fundos de investimento, as empresas e os bancos a reportar de que forma estão alinhados com os seis objetivos ambientais europeus, sendo o mais importante o facto de os bancos passarem a ter em 2022 os rácios de capital associados aos riscos climáticos dos seus empréstimos". Na prática, constata a executiva da Systemic, isso significa que projetos mais poluidores venham a ter uma taxa de juro mais alta ou mesmo não tenham acesso ao empréstimo.

E "tudo" começa já para o ano, em que as grandes empresas, gestores de ativos e bancos terão de reportar alguma informação, mesmo que qualitativa, nomeadamente "sobre como o seu negócio está alinhado com a chamada Taxonomia Europeia, que define o que são atividades ambientalmente sustentáveis". Informação que, a partir de 2024, será obrigatória para as grandes empresas não financeiras e financeiras e em 2026 para as PME cotadas em bolsa. No entanto Sofia Santos alerta que as restantes empresas, embora não tenham a obrigatoriedade de reporte, "os bancos e fundos de investimento vão necessitar de obter essa informação".

E isto abarcará todos os setores da economia. É certo que será feito de forma faseada. Atualmente apenas publicados os critérios mínimos para os objetivos ambientais de mitigação e adaptação. No entanto isso deverá mudar e muito provavelmente ainda este ano, em que deverão ser publicados os "critérios mínimos ambientais para os objetivos da economia circular, poluição, gestão da área e mar e proteção dos ecossistemas".

24/11/2021

Fonte: Jornal de Negócios

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